Guia auditoria

O cenário da saúde vai além do centro cirúrgico. O progresso e evolução das redes hospitalares no país tem sido uma constância, ainda que ao enfrentamento de uma crise econômica a nível mundial,  principalmente no setor de saúde. 

No entanto, com o avanço nas diversas áreas de conhecimento, aumento na demanda do serviço, reestruturação nas políticas públicas foram contribuintes para esta ascensão. 

O desafio do centro cirúrgico

Sabe-se que para atingir um nível de qualidade e de excelência nos atendimentos e serviços prestados é uma tarefa desafiadora. 

A instituição precisa se pautar em técnicas e sistemas organizacionais dentro e fora do centro cirúrgico que visem uma melhor gestão, com enfoque diretamente voltado a segurança do paciente e reabilitação da saúde. 

Além disso, para que o serviço funcione são necessários recursos financeiros, humanos, materiais e de equipamentos.

Economicamente, instituições de saúde possuem ativos e passivos, receitas e despesas sendo administradas de maneira eficiente que possam garantir a sustentabilidade, bem como os avanços tecnológicos em saúde. 

O impacto do centro cirúrgico na conta hospitalar

Considerando todos os setores pertencentes a uma instituição de alta complexidade, o centro cirúrgico é responsável por um impacto financeiro importante.  

Tendo isto em vista, é fundamental que seja desenvolvida uma gestão e gerenciamento com eficácia para a organização e planejamento, além de poder conhecer todo o processo. Esta operacionalização requer a utilização de ferramentas que viabilizem o planejamento, gestão e organização do setor, contemplando toda a Instituição. 

A automatização destes processos é permitir que haja integração de todos os setores das instituições de saúde com agilidade e qualidade. 

Com relação aos impactos econômicos, realizamos um levantamento de ações esperadas, de acordo com os indicadores hospitalares. 

Como ferramentas fundamentais na gestão em saúde, servem como recursos estratégicos por utilizarem dados institucionais para desenvolver estruturas de trabalho. 

Os indicadores são métricas importantes diretamente relacionadas aos custos hospitalares, pois avaliam o desempenho e a qualidade dos setores como à logística, custos, gastos e modo operacional. 

Ainda assim, determinam a construção do planejamento estratégico hospitalar, de forma contínua com atualizações nos dados sob metas de curto, médio e longo prazo. 

Assim é possível a tomada de decisões para melhorias e inovações na prática clínica, especificamente, na área cirúrgica.

Indicadores hospitalares para monitorar no centro-cirúrgico:

Taxa de ocupação por:

  • Sala;
  • Setor cirúrgico;
  • RPA;
  • Procedimento cirúrgico;
  • Logística de setores e salas;

Intervalo de substituição

  • Dimensionamento de pessoal;
  • Escala de enfermagem;
  • Divisão de equipes e especialidades médicas;

Tempo médio de permanência

  • Número de procedimentos realizados;
  • Convênios utilizados;

Indicadores de rentabilidade

  • Tempo médio de permanência;
  • Número de procedimentos realizados;
  • Convênios utilizados;
  • Controle de eventos adversos;
  • Rastreabilidade de fármacos do centro cirúrgico; OPMEs; Gasoterapia anestésica;
  • Controle das antibioticoterapias e fármacos;
  • Monitoramento dos fatores de risco para infecções hospitalares.

Faturamento

  • Glosas;

Satisfação do paciente

  • Pesquisa de satisfação;
  • Protocolo de atendimento;
  • Acompanhamento pós operatório imediato e mediato para controle das infecções hospitalares;

Avaliação da produtividade clínica

  • Registro de investimento;
  • Relação de dados perioperatórios de todas as unidades em uma central;
  • Recursos humanos;

Avaliação da produtividade da equipe

  • Melhoria da performance do centro cirúrgico;
  • Turnover de sala;
  • Produtividade em horas por tempo e sala;
  • Valores e análises da qualidade assistencial;
  • Rastreabilidade por hora e por período;
  • Eliminação por completo do registro perioperatório em papel, com diminuição em 2/3 do tempo e recursos humanos para faturamento do procedimento anestésico: ou seja, valor por minuto com uso da plataforma e valor de RH.

Taxa de mortalidade

  • Checklist de cirurgia segura;
  • Segurança do paciente.

O sistema de custos do centro cirúrgico

Conceitualmente, o sistema de custos é a coleta, classificação e organização de dados. Depois são transformados em relatórios estatísticos e padronizados. E isto também inclui para o centro cirúrgico.

Porém, a implantação de um sistema de custos em hospitais é um processo demorado em virtude de sua complexidade.  Isto se dá pois uma instituição de alta complexidade possui múltiplos serviços e profissionais atuando simultaneamente. 

Ainda, há um amplo volume de dados que precisam ser coletados no processo. O sistema de saúde brasileiro atualmente se encontra em difíceis condições financeiras.  

Alguns fatores que compõem o caos na saúde além do aumento da demanda incluem questões de desemprego, miséria e pobreza. 

Com o aumento da demanda da população por atendimentos em saúde, surge a concorrência entre as empresas que prestam esse serviço. Mas também torna mas doenças mais complexas e a assistência mais cara e desordenada.

Benefícios da administração dos custos

Com a realização do processo de auditoria de contas hospitalares para a administração dos custos do centro cirúrgico é possível que a gestão hospitalar tenha documentado e analisado:

  • Custos da produção médica;
  • Quais os custos por cada paciente;
  • Valores da internação diária de cada paciente cirúrgico;
  • Custos que auxiliam nas decisões de vendas e de compras;
  • Planejamento financeiro de investimentos e também da concretização de funções administrativas.

Nas pesquisas de literatura, tem-se uma média de custos no centro cirúrgico, considerando custos diretos, indiretos e intangíveis de aproximadamente: R$ 782,90. 

Diante deste acréscimo, as organizações de saúde precisam se tornar eficientes, aumentando a produtividade, inversamente aos gastos. 

E para isso, aprofundar o conhecimento nos processos assistenciais e gerenciais com objetivo de alinhar recursos e ações, reduzindo desperdícios que estão atrelado ao desenvolvimento de ações que não favorecem nem agregam valor ao produto ou serviço, mas geram custos e despesas desnecessárias, sem que seja satisfeita a demanda do paciente. 

Contudo, identificar desperdício não só no centro cirúrgico é uma atividade que exige análise criteriosa sendo responsabilidade de toda equipe interprofissional e gestão hospitalar.

Os hospitais são empresas prestadoras de serviços de saúde e objetivam manter atendimento de qualidade aos seus pacientes. 

Para isso a aquisição de ferramentas e plataformas para qualificar as métricas e analisar de maneira criteriosa os dados é essencial no controle de custos e gestão em saúde

Ainda, manter um controle e direcionamento das informações para auxiliar nas decisões estratégicas, possibilitando um serviço de maior confiabilidade, qualificando a entrega e assistência em saúde.

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Referências

ANESTECH. Sistema de Gestão de Dados. 2019. Disponível em: <https://anestech.com.br/site/sistemas-de-gestao-de-dados-aims/>.

CM TECNOLOGIA. 3 motivos para operacionalizar a gestão do centro cirúrgico. 2017. Disponível em? <https://cmtecnologia.com.br/blog/operacionalizacao-centro-cirurgico/>. 

CASTRO, L. C.; CASTILHO, V. C. O custo de desperdício de materiais de consumo em um centro cirúrgico. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v.21, n.6, pp:1228-34, 2-13. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/rlae/v21n6/pt_0104-1169-rlae-21-06-01228.pdf>.

LEAL, E. A. Análise de custos no setor hospitalar – utilização da metodologia Activity Based Costing – ABC: o caso das cirurgias cardíacas no hospital universitário de uberlândia [dissertação online]. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO – PUC/SP. 185p, 2006.

VIANA, J. R. F.; PÁSSARI, I. A.; NIVEIROS, S. A. Gestão de Custos Hospitalares: um Estudo de Caso no Hospital Santa Casa de Misericórdia e Maternidade de Rondonópolis – MT. XXIV Congresso Brasileiro de Custos – Florianópolis, SC, Brasil, 15 a 17 de novembro de 2017. Disponível em: <https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/viewFile/4362/4362>.

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